2018: ônus, bônus e sonhos.

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“Gratidão é combustível para as ações que tomo, então fazendo o que amo, a mantenho”. Assim nos ensina a cantora jamaicana Jah9. Em Gratitude, quinta faixa no álbum New Name (2013) – e uma das músicas mais escutadas por mim neste ano, a artista nos chama atenção de que sendo verdadeiros conosco e com nossos ancestrais, podemos caminhar rumo à liberdade. Ela ainda nos convida a enxergar a gratidão não apenas como sentimento de si para o mundo, mas também como ação. Por isso nos diz que se “percepções deixam lugar para mal entendidos, fazendo que gosto minha palavra é compromisso”.

2018 foi um ano em que comecei a ouvir meus sentimentos, como nos orienta bell hooks em Vivendo de Amor. Nem sempre os respeitei. Comecei os meses sem fazer planos sobre o que eu gostaria que acontecesse. Deixar a vida me levar do jeito mais Zeca Pagodinho que pude em muitos termos foi produtivo no sentido de aproveitar mais os agoras, mas também me deixou em lugares que não queria estar. Para desistir deles precisei enfrentar meus medos, inclusive de não saber se as coisas poderiam melhorar e acabar me submetendo ao que quer que fosse. Hoje sei que a qualquer momento podemos tomar as rédeas dos nossos destinos.

Leia aqui: “Se não tivéssemos amado uns aos outros, nenhum de nós teria sobrevivido”.

Mesmo sem planos, fui presenteada com oportunidades que me fizeram crescer bastante enquanto ser humano neste mundo. Participar da I Mostra Itinerante de Cinema Negro Mahomed Bamba, conhecer a capoeira e encontrar um espaço seguro nela através da Acanne e de meu mestre Renê, mudar de casa, conhecer outras cidades pela minha escrita, ter gente me apoiando e acreditando em meu trabalho enquanto jornalista em formação. Ter compreendido melhor o que é amor e tê-lo praticado.

Neste ano que se vai, junto com máscaras e mentiras, ouvi muito e falei demais. Escrevi pouco, mas foi denso e levei à prática. Sofri com a visibilidade, com os olhos apontados para mim e sei que não preciso. Reconheci minha fraqueza e fui cuidar de mim. Tive quem me chamasse atenção para o autocuidado e sou grata. Cultivei na minha alma coisas boas e floresceu  na minha mente a esperança de continuar viva. Não fiz nada sozinha. Também agi pela raiva. E todos nós temos o direito e a necessidade de sentí-la, mas sem cuidado experimentei o ódio e não quero mais esse gosto em minha boca.

Além do recado da Jah9 nos meus dias, queimei muitos neurônios e calorias por Honra. Pedi muito discernimento ao universo para saber os caminhos de prestigiar aqueles que vieram antes de mim. Tomei sustos nesse caminho, que evoluíram para trancamentos e agora me organizo para lidar com caminhos abertos. Sinto a necessidade de me espiritualizar cada vez mais. Lidei também com a morte, de entes queridos e dentro de mim. Isso me fez reconhecer que na natureza que nos cerca está a força para continuar.

Autocuidado para quê?

Neste ano que se inicia, quero aprender sobre coragem. A coragem que fez meus ancestrais superarem o estado das coisas como estavam na escravidão. A coragem de olhar nos olhos dos outros e dizer a palavra sem mentiras. A coragem de lutar pelos meus sonhos sem pedir desculpas a quem quer que seja, por ser jovem, por ser negra e orgulhosa da minha linhagem.

Vou continuar aparecendo por aqui. Espero e me organizo para mais vezes. Como prometi no instagram (@maiavox), no próximo post deste blog vou continuar com o autocuidado. No mais, desejo um bom recomeço para você do lado daí. Até logo!

Imagem em destaque:  @vaycarious/ Nappy

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