Os limites do silenciamento ou Por que eu fiquei tanto tempo sem escrever?

Share

Oi, gente! Como vocês estão? Espero que bem! 

Já há quase um ano desde a última vez que escrevi aqui. Muitas coisas aconteceram comigo. Coisas boas e nem tão boas assim, mas com as quais eu me dispus a aprender um pouco em como levar a vida.

Passei algum tempo imaginando que minha opinião sobre os acontecimentos não são tão necessárias assim. Penso que isso veio do medo de ser criticada, algumas vezes de forma nada construtiva. Ainda sim, foi importante para eu me dar conta de fraquezas que me rodeiam e estão alocadas em meu interior.

Por isso me privei de publicar alguns escritos meus. Depois, desisti de escrever e mais uma vez, quando isso acontece, me enterrei em um mar de inseguranças que me fazem estar alerta para todo e qualquer olhar alheio, imaginando que geralmente são de decepção. Não há nada pior para mim do que a sensação de desapontar aqueles que estão ao meu lado. Minha vida parece tão agraciada, ainda mais quando observo a vida de muitas mulheres negras aonde vivo. Por isso não me permito decepcionar outrens. A questão é: e quando o que eu faço desaponta a mim mesma? É difícil segurar a barra.

Parei de escrever também porque compreendi que tenho muito ainda a aprender. Graças a internet temos uma plataforma de expressão compartilhada nunca antes experimentada. Entretanto, podemos ficar absortos nas dinâmicas desse pedaço digital e online de nossas vidas e nos afastarmos de outras fundamentais – e que se mostram apenas no offline. Este espaço aqui é de disputas constantes de poder. Fico pensando nas pessoas que ainda não estão inseridas neste contexto, que parece tão geral, tão global, que atinge a tudo e a todos, mas não conta com o protagonismo e a inclusão de uma boa parcela de pessoas.

Parei de escrever também por me sentir uma impostora. Há tanta gente escrevendo e falando coisas parecidas. Não queria ser mais uma a repetir, mas hoje sei que parte disso está na forma em que aprendi a me silenciar. Não é esperado de mulher negra nenhuma – ou de qualquer outra pessoa que o mundo do jeito que é não considere – que tenhamos opinião, que as expressemos. A ameaça ao status quo é gigantesca quando exercemos nossa potência. #MariellePresente.

De toda forma, acredito compreender isso tudo não pode me paralisar de expressar o que penso, o que sinto. Precisamos tomar partido (Chimamanda Ngozi Adichie: “Nossa época obriga a tomar partido”). Ainda penso que minha opinião não é indispensável, mas quando nos apropriamos, tanto o silêncio quanto a fala desempenham papeis necessários para nossa emancipação.

Daqui em diante eu tenho o compromisso com vocês e comigo mesma de continuar escrevendo. Para ser realista, não vou apresentar uma rotina de posts aqui no blog, como já tentei, mas sempre que der publicarei aqui. Acompanhem nas redes sociais para não perderem as próximas postagens! Abraço!

 FACEBOOKINSTAGRAM | INSTAGRAM

TWITTER | PINTEREST | YOUTUBE

Comments

    1. Post
      Author
  1. Milena Christine Freitas

    Eu te admiro, tenho muito orgulho e amor pela mulher que és, pela potência que sua existência é, por todo o seu caminhar, que nessas encruzilhadas da vida você seja água corrente pra si, que eu seja água corrente pra ti, que de coração a gente se cuide, se fortaleça, que possamos viver e ver as nossas vivas, que o tempo se faça exato em nossas vidas e demandas, eu te amo!

    1. Post
      Author

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *